terça-feira, 24 de novembro de 2009

vênus

-
- você viu?
- quê?
- aquela estrela grande, lá.
- vênus, rafael. não é estrela, é planeta.
- é bonito.
- eu já achei que dava pra fazer pedidos, quando menor.
- e o que pedia?
- geralmente? uma babaquice. o menino que gostava.
- e hoje, o que pediria?
- pra ser feliz.
- o menino que você gosta?
- e é isso ser feliz?
- não, mas dá pra começar.
- o que você pediria, rafael?
- três copos cheios de vodka, limão e muito açucar.
- ah, me passa o vinho, vai.
-
-
- sabe, não pediria nada pra estrela.
- nada?
- não. felicidade deve bem ser isso daqui. isso de você, vinho barato e conversas que vão de sociologia à muriçocas assassinas em meio segundo. tudo isso, e umas estrelas pra acompanhar.
- então finalmente admitindo que sou boa companhia?
- eu mesma não, o vinho deve estar.
- você mal bebeu, alexa.
- sei, mas você já me viu admitir alguma vez que gosto de você?
- não.
- então. porque seria agora, gênio?!
- bem que podia. se fosse vodka, sabe?
- eu não quero falar sobre isso.
- você tem medo?
- tenho. de tudo, e você sabe, montanhas russas...
- ... e tudo o mais que possa tirar seus pés do chão e blábláblá.
- exatamente.
- tiro seus pés do chão?
- totalmente.
- sério?
- rafael, o que mais você pode supor que me faria sair de casa, plena segunda, dez da noite, andar até a orla para olhar estrelas e tomar vinho ruim em copos de plástico estampados com palhaços?
- vontade? um espírito aventureiro? gnomos?
- você.
- era a quarta opção, mas você nunca me deixa terminar nada...
-

Nenhum comentário: