terça-feira, 18 de agosto de 2026

jeneci, manoel de barros e gonzaguinha

ando focada em me reconectar com o real, com o 3d de que falou marcelo jeneci na juá literária, esse mundo que tem cheiro, temperatura, textura, vento, esse mundo que não cabe inteiro em tela 2D. e não é que eu não veja mais sentido ou ache errado postar, pelo contrário. só tenho prestado mais atenção na beleza escondida atrás da vontade de mostrar: é gente dizendo ao mundo “olha isso”, “olha como tudo está bonito”, “olha como a vida, apesar de tudo, continua florescendo”. é encantamento mais do que exposição. gratidão mais do que registro. ao mesmo tempo, tem sido bonito observar que algumas coisas não precisam virar imagem para existir plenamente. algumas coisas ficam mais bonitas sem registro físico, pois viram poesia. o que mais anda me emocionando está sendo perceber que a beleza que eu tentava enquadrar não estava apenas nas cenas, mas na vida que as continha. a minha vida. feita dessas miudezas que quase passam despercebidas, as frutinhas cortadas no café da manhã, os sorrisos e as mãozinhas de flora, a massinha virando a skye ou o marshal, o sol laranja colorindo a janela da minha sala na hora de sair do instituto, o samba de velho atravessando a ilha do massangano, a lua laranja crescente enquanto a gente atravessa o velho chico de barco... essas inutilidades preciosas que o manoel de barros dizia colecionar, dessas alegrias pequenas que não pedem legenda. tem sido bonito perceber, sem alarde e sem filtro, que a vida é bonita e é bonita.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

luedji, água e talvezes

- o que fazer com essa vontade de colocar cerca em terreno que nem sei onde é ou qual o tamanho?

mal vejo uma coisa nascer e já quero perguntar:
o que é?
quanto dura?
onde mora?
volta quando?

provavelmente porque eu conheço bem as coisas que vão embora.

talvez porque existe uma mulher preta morando em mim e nela morem outras tantas, sentadas na varanda da história, ouvindo o bom mesmo é estar debaixo d'água da luedji, esperando serem chamadas para entrar.

outras vezes, acho que herdei uma espécie de escuta
escuto ausências antes que elas aconteçam
escuto despedidas ainda dentro do abraço
escuto o silêncio chegando montado num cavalo
escuto também as goteiras
não a água, o aviso dela

mas aí aparece alguém
e alguém que fala

fala das próprias rachaduras
fala dos medos
fala coisas que talvez eu guardasse

e fico sem ferramenta
aprendi a me defender do silêncio
não da sinceridade.

então passo os dias catando pedrinhas no bolso
porque qualquer gota me cresce por dentro
eu tenho esse defeito bonito de transformar poça em mar

esta é necessidade?
esta é trauma?
esta é intuição?
esta é só quarta-feira?

não sei.

sei que existe um jantar marcado
e um homem que me diz coisas bonitas, mas não há contratos

e eu, que sempre precisei de legenda, me vejo aprendendo a olhar a paisagem.

outro dia pensei que talvez o amor não seja um lugar
talvez seja um bicho
e eu tentando prender o bicho num pote de vidro para saber seu nome
sendo que, bicho nomeado continua bicho
pássaro catalogado, continua voo

eu quero ser amada em voz alta, como anda na moda dizer por aí
mas talvez, voz alta não seja grito
talvez seja permanência
talvez seja alguém ficando sem precisar abaixar o volume

enquanto isso, sigo
cheia de talvezes
com essa vontade de saber...

...e essa vontade ainda maior de não estragar o mistério.



terça-feira, 4 de agosto de 2026

a outra margem

há rios que a gente não escolhe atravessar.

eles aparecem de repente, com uma água fria que leva embora o chão, o nome das horas, a ordem dos dias.

atravessei um desses às 11h10min da manhã do dia 24 de fevereiro de 2024.

achei que nunca mais pisaria naquela margem onde tudo fica sem palavra.


hoje, a pessoa que fez meu coração voltar a sonhar vai molhar os pés no mesmo rio e me dói um pouco não poder estar perto.

mas não é o meu rio.
nem a minha água.
cada ausência inventa a própria correnteza.

mesmo assim, reconheço o frio.


há um idioma secreto entre quem já enterrou o pai.

e ainda assim, a gente nunca sabe o que dizer.
talvez seja porque não exista palavra capaz de diminuir o tamanho da falta.

então sobra o corpo

um abraço

uma mão que não solta

"estou aqui."


não posso atravessar por ele.

ninguém atravessa.

mas posso permanecer na margem enquanto ele descobre que a saudade também aprende a andar.


há dores que não pedem resposta

pedem presença.


amor é também isso:

sentar na beira do rio com alguém,
sem prometer que a água vai baixar,
mas lembrando, baixinho,
que existe a outra margem.

segunda-feira, 29 de junho de 2026

cartas de tarot

fé. 

a minha palavra desse ano. 

não coragem.

não amor.

fé.


escrevi essa palavra sem saber exatamente o que ela viria sustentar. só sentia que precisava voltar a confiar naquilo que os olhos ainda não conseguiam ver.

a espiritualidade sempre falou comigo por caminhos discretos.

quatro anos atrás, sentei diante de d. lúcia.

ela olhou para mim com uma serenidade antiga e disse que eu era filha de oxum e oxossi. falou de religião originária, ancestral, antes mesmo de eu compreender o que aquilo significava.


o tempo passou. fui caminhando, estudando, vivendo. e, aos poucos, fui entendendo que algumas verdades chegam primeiro ao espírito e só depois alcançam a razão.


essa semana aconteceu de novo.

um jogo de baralho cigano.

eu não estava lá. e, ainda assim, de algum jeito, estava.

as cartas falaram de um novo amor.

de reconstrução.

falaram das águas.

comunicação.

viagem, meninas.

de uma bênção sobre um encontro que está aprendendo a nascer.


eu sorri, não porque precise que as cartas me convençam de alguma coisa.

mas porque reconheci, mais uma vez, esse jeito delicado que a espiritualidade tem de sussurrar.

ela nunca gritou comigo.

sempre preferiu os detalhes.

conversa.

palavra.

sonho.

d. lúcia.

um baralho aberto numa vila hippie da bahia.


e uma palavra escolhida lá em janeiro, esperando pacientemente pelo momento de fazer sentido.

fé.


talvez seja isso.

não a certeza de que tudo dará certo.

apenas a confiança de que há uma energia amorosa costurando a vida enquanto a gente vive.

e, vez ou outra, ela deixa um fio ou outro aparecendo.





quarta-feira, 3 de junho de 2026

o susto das coisas que ficam

hoje, pós terapia, me dei conta que continuo carregando o passarinho da desconfiança no bolso. por muito tempo achei que ele era um companheiro necessário, desses que nos ajudam a atravessar as estradas da vida sem cair nos mesmos buracos. 

há um homem diante de mim. ele não está indo embora. ele não está se afastando, nem escondendo a própria presença, nem retirando aos poucos aquilo que oferece. e talvez seja justamente isso que me assuste. porque as ausências eu conheço. sei reconhecer seus passos, seus ruídos, seus prenúncios. mas a permanência ainda me parece um bicho raro. então me pego examinando o que não precisa ser examinado, procurando rachaduras nas paredes de uma casa que ainda está sendo construída, pedindo respostas para perguntas que talvez só o tempo possa responder. não porque eu queira desconfiar, mas porque existe uma parte antiga em mim convencida de que toda beleza traz escondida uma despedida.

o que tenho percebido, porém, é que o passarinho já não me protege como antes. ele me mantém acordada quando eu poderia descansar. ele me faz olhar para a porta enquanto alguém permanece sentado à mesa. ele me faz sofrer por ausências imaginadas enquanto a presença acontece diante dos meus olhos. e estou cansada disso. cansada de viver em estado de alerta, cansada de transformar possibilidades em ameaças, cansada de acreditar mais nos meus medos do que nos gestos concretos de cuidado que recebo.

não quero expulsar esse passarinho. ele nasceu de lugares reais. nasceu das dores que vivi, das perdas que me atravessaram, das histórias que ensinaram ao meu coração que amar podia ser perigoso. mas talvez tenha chegado a hora de abrir a mão. não para abandoná-lo, mas para libertá-lo. para que ele voe, deixe de ser carcereiro, volte a ser apenas memória. para que eu não precise mais consultar o medo toda vez que a felicidade bater à porta.

talvez seja isso que essa nova história esteja tentando me ensinar. talvez o outro não seja o problema que preciso resolver, nem a garantia que preciso obter. talvez ele seja apenas um espelho, onde consigo enxergar feridas mais profundas, aquelas que existiam antes dele e que continuarão existindo se eu não tiver coragem de olhá-las. e, pela primeira vez, sinto vontade de fazer diferente. sinto vontade de parar de procurar motivos para fugir. sinto vontade de acreditar no que existe enquanto existe. sinto vontade de permitir que o cuidado seja cuidado, sem submetê-lo a provas intermináveis.

enquanto isso, ele continua aqui. e eu quero aprender a permanecer também. não no futuro que invento, não nas histórias que o medo escreve para mim durante a madrugada, mas neste instante simples e imperfeito em que duas pessoas tentam construir alguma coisa juntas. quero me abrir para a possibilidade de que nem toda história bonita seja um aviso de perda. algumas histórias são apenas o que são: uma porta aberta, uma luz acesa, um convite delicado para abandonar os escombros e voltar, devagarinho, a ter fé na vida.

terça-feira, 12 de maio de 2026

café e dengo

tem gente que chega devagarinho e, quando a gente percebe, já virou pensamento do nada no meio do dia.

ele apareceu assim. num cafézinho terça-feira à tarde, que virou horas de conversa, num almoço despretensioso de feriado, numa cerveja, num beijo que encaixa, e eu pensando “ferrou, doido”.

porque tem gente que encaixa fácil demais na nossa rotina, e isso dá um medo absurdo.

aí ele me manda mensagem dizendo que, se tivesse me conhecido daqui dois anos, talvez fosse perfeito.

eu ri.

porque achei honestidade demais pra tão pouco tempo.

ri também porque entendi.

tem gente que ainda tá juntando os próprios pedaços enquanto conhece alguém novo (eeeu). e tudo bem. também tenho meus sustos, minhas cautelas, minhas pequenas vontades de fugir quando as coisas ficam boas demais...

“é bom demais pra ser verdade”

mas gosto dele. e quero parar de correr toda vez que me assuto.

gosto do jeito direto. do “dengo” no dia das mães. do fato de estar se cuidando. do cuidado silencioso comigo. do jeito que tenta explicar o que sente e se enrola inteiro no caminho.

“eu quero tu demais”, escreveu.

e talvez, por enquanto, isso já seja bastante coisa.

tem uma delicadeza muito triste em conhecer alguém no momento errado.

mas existe também uma beleza quase impossível quando, apesar disso, alguém resolve ficar mais um pouco, “pra ver no que dá”.

não quero apressar nome nenhum, nem futuro nenhum.

quero só continuar indo tomar café e descobrindo aos poucos por que a presença dele deixou meus dias mais leves.

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

fé, 2026

que o ano não chegue anunciando milagres.
que chegue silencioso, quase pedindo licença, sabendo que por dentro ainda é bagunça.

fé é isso: continuar mesmo quando não há sinais.
mesmo quando os dias pesam, quando os amores falham, quando a gente cansa de ser forte.

que 2026 encontre os restos, os medos guardados, as palavras não ditas, os sonhos adiados, e não nos cobre pressa.
fé também é permanecer no processo.

ano novo não é data, é decisão íntima. 

acontece quando a gente escolhe ficar, apesar.
quando aceita que não vai entender tudo, mas segue.
fé como passo dado no escuro.

que venha menos urgência e mais presença.
menos promessas e mais verdade.

fé não grita, não exige.
fé sustenta.

que a virada seja interna, lenta, quase imperceptível.
que seja feita de pequenos gestos: levantar, respirar, tentar de novo.

fé como quem segura a própria mão quando ninguém vê.
fé como quem acredita, não porque tem certeza, mas porque desistir não é opção.

sexta-feira, 10 de outubro de 2025

[sem data]
[sem destinatário - ou talvez para ele, quando ele chegar]

eu fiz uma lista.
não porque ache que alguém precise se encaixar nela feito molde - mas porque, depois de tudo que vivi, eu precisei deixar claro pra mim mesma o que é essencial.
escrevi pra lembrar.
pra não me esquecer de novo.
pra não me enganar com amores que vêm bonitos, mas vazios.

é uma lista simples. ou talvez não seja.

quero alguém que faz terapia.
alguém que já se encarou no espelho sem desviar o olhar.
que sabe onde dói e por quê.
alguém que não vai me colocar pra consertar o que não é meu.
que entende que amor não é salvação, é escolha.

quero alguém cheiroso. 
não só o perfume - o cheiro da pele, do banho, da roupa limpa.
aquele cheiro que dá vontade de encostar o rosto no pescoço e ficar ali, muda, quieta.
que dá saudade antes mesmo de ir embora.

quero alguém que sabe dançar forró.
que entende que dançar é mais do que mexer o corpo - é saber o tempo do outro. 
alguém que saiba guiar sem puxar, que dance junto.
que esteja presente - no passo, no toque, no olhar. 
quem sabe dançar, sabe viver junto.

quero alguém que não se assuste com profundezas.
que mergulhe.
que não diga que é “drama” quando eu falar de medo ou dor antiga.
que não fuja quando a conversa escurecer. 
que fique.
alguém que aguente o peso de um assunto sério sem mudar de assunto.
que respire fundo e diga: “tô aqui”.
porque nem tudo é leve - e nem precisa ser.
a vida tem parte funda, e eu sou feita dela também.

quero alguém com uma raiva bonita.
que não disfarce o que sente, mas também não use isso como arma. 
que saiba dizer “isso me machucou” sem gritar.
que saiba o valor de um limite dito com respeito. 
raiva que não vira destruição - só borda.

quero alguém que não tem medo do afeto.
que fale, que demonstre, que toque. 
que mande mensagem só pra dizer “senti sua falta”. 
que me olhe nos olhos com vontade de estar. 
alguém que não precise bancar o indiferente pra parecer forte. 
porque pra mim, força mesmo é sentir sem medo.

quero alguém emocionalmente responsável. 
que não diga o que não pode sustentar. 
que não prometa presença se ainda está meio em outro lugar. 
que respeite o que nasce entre dois - e saiba cuidar disso como se fosse vivo, porque é.

quero alguém com um caos compatível com o meu. 
porque eu também sou tempestade às vezes. 
também erro. 
também me confundo. 
mas tenho aprendido a varrer a casa depois. 
só quero alguém que saiba fazer o mesmo - e que ache graça no improviso de estarmos vivos e imperfeitos, juntos.

é isso.
essa é a lista.
não quero alguém perfeito. 
quero alguém real. 
alguém que saiba amar com as duas mãos. 
que saiba pedir desculpa. 
que saiba ficar.

se você estiver aí - talvez um pouco perdido, talvez tropeçando em amores errados como eu tropecei - saiba que estou aqui.
inteira.
esperando sem pressa.

com afeto,
julliana
(assinado com silêncio e certeza)

sexta-feira, 5 de setembro de 2025

barco

o barco segue lento, quase como se arranhando a água. dois corpos nus deitados, pele contra pele, como se nunca tivessem vestido nada.
o céu cinza, pesado, refletido nas fachadas de tijolos coloridos molhados.

— as vezes acho que amar é suportar a ausência — disse ada, a boca quase encostando no ombro dele.

otto sorri curto, um meio gesto que quase não chegava a nascer.

— amar é aceitar que vai doer. sempre — disse. 

ela passa a mão no peito dele, como se procurando um ritmo secreto.
o silêncio entre eles é menos silêncio e mais correnteza, puxando os dois para algum lugar que não sabiam. é denso, mas não vazio. o tipo de silêncio que respira junto, pele com pele.
otto beija o pescoço dela devagar, sem urgência, como quem escreve uma carta que nunca vai enviar.

— mas e quando a saudade é maior que o corpo? — ada pergunta se virando de lado, olhando os olhos dele que refletiam a água. — maior do que a cama, da urgência, do que as horas?

otto demora a responder. talvez estivesse com medo de nomear o que já sabia, mas nunca admitiria.


— aí a gente se afoga.

o motor do barco tosse baixo, como se confirmando. e por um instante, parece que o mundo inteiro era feito só daquele espaço estreito: o plástico frio sob as costas, o cheiro de diesel misturado a pele, o leve balanço que lembra um útero.
ada ri sem jeito, mordendo o lábio.


— então é isso? estamos sempre prestes a nos afogar?

ele a puxa para perto, um gesto simples, quase instintivo. o corpo dele contra o dela, quente, vivo, frágil.


— talvez seja exatamente isso. talvez amar seja respirar água e acreditar que é ar.

os dedos dela deslizam pelo quadril dele, mas o desejo vinha junto de um peso melancólico, como se fosse impossível separar tesão de solidão.
do lado de fora, bicicletas passam, turistas riem, flores caem das varandas. dentro, nada além de dois corpos nus tentando traduzir o indizível.
ada fecha os olhos, e sussurra baixo, quase como sem querer ser ouvida. 


— só não quero que a saudade seja maior que nós dois.

otto não responde. apenas beija o espaço entre o ombro e o pescoço dela, como quem pede desculpa por todas as respostas que nunca terá.
do lado de fora, as águas batem contra as paredes de pedra. dentro, eles se enroscam como se o corpo fosse uma maneira de rezar contra o vazio.
e o barco segue, carregando aquele silêncio cheio de amor, desejo e uma falta impossível de nomear…



sexta-feira, 29 de agosto de 2025

a casa florida no meio da estrada

tem uma casa na beira da estrada chegando em santa cruz
com árvores grandes, cheia de flores coloridas

não importa a época do ano
se tá frio
se tá quente
se tá seco
se choveu
tá sempre florida

um recorte florido no meio da seca

ontem, indo trabalhar, eu vi uma senhora na frente da casa
regando as plantas
e só aí pensei no trabalho na energia na água
pra manter árvores e flores sempre tão verdinhas e coloridas

pensei que eu sempre espero pra ver essa casa
tem muita coisa nos mais de duzentos quilômetros de estrada
mas eu só espero presto atenção diminuo a velocidade pra ver essa casa

verde
florida

assim também são as pessoas
apenas algumas merecem nossa energia nosso trabalho nossa água
nossa expectativa para encontrar mesmo que rapidamente, a caminho do trabalho

assim também somo nós
a gente precisa gastar nossa energia nosso trabalho nossa água na gente
para que a gente sinta vontade de parar na gente, todo o tempo, até a caminho do trabalho

segunda-feira, 20 de março de 2023

o roteirista da minha vida adora pesar a mão. nem o the game of thrones faria tamanhas atrocidades. mas é tanta revira-volta que já tô maceteada. no final vai dar certo, de um jeito ou de outro, vai dar.

como me disse fedi essa sexta, o barato da vida tá justamente aí. daqui a quatro anos, você vai olhar pra trás do mesmo jeito que a julli de hoje olha pra de 2019. vai dar certo e você sabe disso, menina.

mas que o universo nos ajude nessa nova empreitada.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

2015 - o ano dos extremos

2016 - 

2017 - o ano do se lançar

2018 - o ano do recuar

2019 - o ano

2020 - o ano da refazenda

2021 - o ano dos recomeços

2022 - o ano das realizações

2023, já estou animada para o que vem por aí! seja mais do que bem vindo.

terça-feira, 13 de dezembro de 2022

do primeiro amor

Diz que, de vez em vez, surgem almas brilhantes no mundo. Daquelas que não sufocam o brilho das outras, mas ajudam-nas a brilhar mais. Por isso, as vezes, é difícil reconhecer uma alma brilhosa. Mas com um olhar atento, percebe-se. Aquele sorriso, aquele "de nada", aquele obrigado sem mais nem menos. Aquele brilho nos olhos. Nunca vi olhos tão brilhantes em minha vida. Brilho que nem o escuro esconde, nem a tristeza diminui, um brilho único. Dizem que os olhos são a janela da alma, então Julliana, acuso-te de ter ser uma alma brilhosa. Das maiores. São três anos desde o dia na concha ao som de Chico César. São três anos desde que minha vida ficou mais clara. Clareza no sentido de destinos, de objetivos. Clareza no sentido de cor, de vida. Se tenho arrependimentos na vida, tenho. Como já te disse, se temos defeitos, é porque somos humanos, se os superamos é porque somos divinos. Brilhe mais e mais. Três anos que aprendo a ser mais gente, a ser mais certo. Três anos que pouca coisa não me inspiro em você. Três anos que pouca coisa não me lembro de você. Como também já te disse antes, você é o livro mais bonito que já li, pena que agora eu não tenho essa certeza, pois nunca li os volumes que saíram agora. Não saia do meu criado-mudo, pois na minha estante não te deixo nunca mais. Te amo, assim do nada mesmo. Te amo.

lembrança de 13.12.2012 do livroderosto.

quarta-feira, 22 de junho de 2022

houve tempo
quando nada
fazia lá sentido
e implorei
pra ser são joão
de alguém

não importava
quem ou quando
apenas ser

hoje a fogueira
sorri estralando
'tu é
tua própria santa,
menina'

domingo, 24 de abril de 2022

jullinha

 


os cabelos cachearam. os olhos "diminuiram". o nariz ganhou um furo na aba esquerda. o lábio inferior ganhou uma cicatriz de um corte ao cair no banheiro e bater no box. um pedaço do dente da frente (do incisivo frontal esquerdo, pra ser precisa) foi perdido ao tentar abrir uma garrafa de cerveja. os seios cresceram um cadinho. a mão na cintura pra tirar foto perdeu a naturalidade (eu fazia isso tão bem!). a cor deu uma acentuada. alguns quilinhos e centímetros foram inegavelmente ganhos.

27 anos separam uma foto da outra. uma brincadeirinha do instagram. você criança/você agora. e não consigo parar de olhar essa montagem com um sorriso no rosto. jullinha está orgulhosa da julli. julli ainda consegue ver em si essa criança, que confia nas pessoas muito fácil e se joga nas coisas de cabeça. 

já não é um peso.

jullinha e julli fizeram as pazes recentemente.


quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

ai ai, universo

faz-me rir!

sábado, 27 de novembro de 2021

farsa

é chegado o dia em que me percebo mentindo pra mim. não que eu já não o tenha feito antes, fiz várias e diversas vezes, mas desde terça-feira (23.11.2021) eu vejo, claramente. e decidi deixar de besteira, a vida já é confusa demais pra gente mesmo ficar se sabotando. e desde então tudo tem sido meio intenso. são muitas coisas para assumir e|ou encarar. amor é uma delas. a principal delas. amores de ontem, de hoje, do futuro. me reler tem ajudado, a julli de 2013 tava no caminho, mas teve medo e recuou. não recuo mais. eu mereço ser feliz, de uma maneira plena. chega de migalhas, limitações, tabus. agora é com você, universo! 

https://coisasduais.blogspot.com/2013/07/voce-vai-chegar-e-nem-deu-tempo-de.html

quarta-feira, 3 de novembro de 2021

é muito louco.
os Podcasts que ouvia na Alemanha são os mesmo que tenho escutado por aqui.
as paisagens que mudaram. aquelas árvores altas e tão verdes deram espaco as pequenininhas retorcidas da caatinga.
o ar seco. o calor.
mas também a tranquilidade de não ter medo de não ser compreendida.
a vida dá muitas voltas, e eu ando não sabendo qual é o meu lugar, mas estou tentando me encaixar, trabalhar, cuidar de mim. reaprendendo a dizer não. não dá. não posso. não consigo.
tenho revisto ex-alunos. e isso aquece o coracão. apesar de perceber que a situacão não anda muito boa pra eles.
comprei geladeira, máquina de lavar, escrivaninha, cadeira bonitinha, cama queen, um filtro de barro. além de toda uma gama de acessórios e demandas da cozinha. estou olhando guarda-roupa, cômoda, mesinhas para organizar tudo. preciso escrever uma lista. colocar prioridades. pregar as coisas na parede.
o apartamento é ENORME.
muito grande pra uma pessoa só, mas vou fazê-lo meu lar. as coisas estão se organizando e vão se ajeitar no seu tempo.
te amo, garota. vê se se cuida.

(voltar a escrever no diário)
(comecar a planejar melhor meu dia)

domingo, 5 de setembro de 2021

gratidao haha

a roupa batendo na máquina. música espanhola tocando na jbl to go. passei a semana pensando na prática de yoga da segunda, yoga para o coracao grato (https://www.youtube.com/watch?v=qKETlkwW0AE). após cada movimento, uma pausa na postura, um momento, um motivo pra pensar pelo qual sou grata. pelo que planejei e aconteceu. pelo que nao planejei, mas aconteceu. por aqueles que passaram pela minha vida, e que haben so viel beigebracht. seja pela dor, medo, amor. sou grata. quando planejei meu intercâmbio, tinha uma ideia completamente diferente na cabeca. pesquisa de ponta e viajar pra tudo que é canto. a pesquisa deu uma embolada (descobri que é difícil em todo canto haha) e as viagens, bem, tudo o que é canto vai ficar pro mochilao na europa no meu período sabático, mas os quatro países (fora a alemanha) que conheci enquanto estava por aqui foram muito especiais. conheci a inglaterra estando em uma vila na casa de uma família de ingleses maravilhosos e acompanhada de dois belizianos. os McLoughlin abriram a casa e me mostraram as belezas de Rolleston on Dove. Steve, Sian, Lee, Jani e Denver. depois conheci Delf na presenca da minha orientadora maravilhosa e seu digníssimo, acompanhada de perto por Bia. depois Amsterdam com a Lud (nao teria pessoa melhor que ela preu conhecer aquela cidade, me ensinar a fumar, divagar, caminhar, comer, filosofar, e se tatuar haha). conheci Madrid e o sul da Espanha (Cádiz) na presenca da minha amiga de anos e que me trouxe casa. encontrar Nathy nao foi só conhecer outro país (o que já é incrível), mas também foi como voltar pra casa. que saudade que eu tava daquele abraco. por fim, mas nao menos importante, conheci a Sicília ao lado de um autêntico siciliano. Federico abriu as portas da sua casa e da sua família para me mostrar com prazer e orgulho o quao maravilhosa é a sua regiao, aonde ele cresceu, seus pratos e praias favoritas, e d. Angela, seu Franco, Tony e Noemi, e a nossa tentativa de nos fazermos entender, aqueceu demais meu coracaozinho. "fino a qui".

ainda faltam a India, Belize, Nepal, Colômbia, Nicarágua e o próprio Brasil, com amigos do Norte e de Vitória, regioes e lugares que ainda nao conheco. sem contar em voltar à Sao Paulo, agora na companhia da paulista que mais amo (acho que vai ser meio que como Amsterdam hehe).

obrigada, Alemanha, por me proporcionar tanto.
a Julliana do futuro, nao se aperreie tanto porque tudo tá "acabando" e mais uma nova fase tá vindo por aí. daqui à dois/três/quatro meses releia e veja que tá tudo bem, e as coisas vao encontrar seu lugar.

tutu