sábado, 12 de junho de 2010


Senti necessidade de escrever algo, não somente algo em vão, algo que faça algo, algo que seja algo. Senti necessidade de escrever para você, sei que pode não ser apropriado, sei que não devia, mesmo assim o fiz. Se com uma lógica quase que fúnebre me utilizo na maioria do tempo, com uma lógica quase viva me expresso hoje.
Sei que pode parecer mentira, mas gosto, gosto de te ver, gosto de te olhar, gosto de te observar. Gosto quando fala comigo, parece que ainda se importa. Mesmo sabendo do que fiz, mesmo sentido o que fiz. Não gosto de te ver triste, um aperto brutal me toca suavemente quando vejo angústia em seus olhos. Não gosto de te ver triste. Nunca. Desculpe pelo excesso de alguma coisa nesse texto, principalmente de símbolos.
Pontuação não é meu forte, ora acho que uso vírgula demais, ora acho que não uso aspas e ora acho que não sei o que estou falando. E é com esse defeito meu, que ouso analisar um relaciomento.
Começamos com o início da frase, alguns gostam de maiúsculas, querem seguir a regra, outros não. Acham as maiúsculas feias, cheias de si. Creio que elas são incompreendidas, solitárias, rezam para uma sigla aparecer e assim contar como foi seu dia sem que as olhem com tom de descaso.
E assim a frase descorre, carecendo de tempos em tempos uma pausa, uma pausa de organização, não de separação, não muito longa, mas também não muito curta. Vírgulas se chamam, se auto proclamam.
Quando queremos falar algo que não saiu de nossas mentes mas sim de nossas bocas usamos as aspas. Saltadoras eternas, flutuantes no texto, separam o não-original de todo o resto.
Nessa fase o autor está no auge do extâse, não se importando com o ouvido/olho do leitor, usando de cabo a rabo as exclamações. Frases para todo mundo ouvir, um "Eu te amo!" aqui, outro "Te odeio!" lá, mas sempre exlamadas, para que o receptor de tal mensagem escute/leia com a euforia de que lhe foi escrita/dita.
Depois de tantas afirmações e aceitações, temos a fase da interrogação. Onde o autor indaga com seu leitor se está tudo bem, se o texto está fluindo harmoniosamente. Essa etapa, exige réplica, uma resposta. Dependendo dessas respostas, o autor define seu desfecho, sua conclusão.
Aí entra o ponto, que assim como a receptora dessa mensagem se finge ou é dois. Um que cede com carinho sua posição até então vantajosa no texto, a última impressão do leitor, o finito da idéia. Posição que se orgulha tanto em ostentar que de vez em vez não quer largar.
Os únicos que sabem o desfecho de tal aventura são os que dividaram tais páginas.
Só quero que saiba que você foi um dos livros mais lindo que já li.
Não saia da minha estante.
Gosto-te, de um jeito ou de outro, gosto-te tanto que nem eu sei qual o próximo ponto, se é continuação ou ponto final, quem sabe? A graça é essa, ninguém sabe.

Dailton Filho
06/05/2010.

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