e bem que eu queria contar história bonita, com direito a passarinhos na janela e o sol fazendo aquela corzinha amarelafimdetarde. velhinho e velhinha, mãos dadas, uma pracinha e pipocas. leveza. queria uma exaltação à doçura nesses tempos tão agitados, onde um bom dia quase sempre é seguido de um "porque?" e o "tudo bem" nunca se sentiu tão rejeitado. queria, nesta terça-feira, que o todo mundo e o mundo todo parasse, quietinhos, pra quem sabe poder sentir, simplesmente, as pequenas rajadas de vento quentemaistãoquente de verão. você que lê esse texto precisa entender que a gente está aqui, em meio a notícias, armas, greves de vida, bolsa de valores, horários de verão e de avião, está aqui para poder respirar, pronfunda e calmamente, inspirar e expirar. não vou de jeito algum ser agressiva, precisa, incisiva, ou outra coisa. será um texto gosto de gelatina de morango. crônica cheiro de lavanda da avó e história pós-carnaval. se está lendo isso aqui, faz um favor a si mesmo e deixa esse turbilhão pra depois, pra mais tarde! agora ainda tem tempo pra brincar de roda sem raciocionar direito, a finalidade da ciranda é somente cirandar. daí que o amor primeiro passou? passou o segundo, o terceiro, e também aquele ônibus baita lotado com um motorista sem coração para parar na sua parada e uma passagem cara pra caramba. você chacoalha pra dedéu, balançando todo o esqueleto, e se não for tão alto como eu, deve ter de fazer um alongamentozinho nas barras lá do alto. e isso todo santo dia é absurdamente desagradável, junto com as contas para serem pagas e o dinheiro acabando enquanto o mês não se faz nem metade. mas dá pra ouvir lá longe um som de pandeiro, na tarde ainda tem aquela manga madura e, na noite, tem lua. se a lua que é a lua sorri semana sim semana não, mês a mês, miguante e crescente, a gente também deve poder. você, como eu, pode até ter medo de palhaço, mas vá lá, não proíbe que conte uma piada boba para você mesmo. que dia foi que andou de bicicleta pela última vez? que beijou de língua? último sorriso e ombro amigo? abraço? casquinha crocante molhada com o sorvete preferido? acredito seriamente que não há de ser triste um mundo onde exista cheiro de cebola refogando e pipoca de cinema. e não se deve esquecer que depois de tudo na semana, ainda existe uma sexta à noite, domingo à tarde. pr'aqueles que nesse momento me julgam otimista, sou exatamente o contrário. chorava no ônibus mais cedo, sem nenhum motivo aparente ou com todos os motivos do mundo. sou desconfiada, descrente de pessoas novas que se aproximam, daquelas que esperam o pior. mas aí, e se a gente parasse e chupasse um pirulito? e se for verdade aquilo que dizem sobre o universo todo caber dentro da nossa garganta? se a sua orientadora comprar trinta picolés e colocar na geladeira recém chegada no laboratório? vitamina de banana (eca!)? poesia escrita em cabo verdense? um par de pernas bonitas? outro de olhos brilhantes? carinha pidona de chachorrinha? olha, sei que já se passaram muitas coisas e esse bendito ano mal está começando. eu, minha mãe, você, seu primo, sua vizinha e essa senhora aqui do lado que olha a hora de cinco em cinco minutos, estamos extremamente estressados. adquirimos esse medo subentendido do mundo. tácito. mas, tente não esquecer e tente me lembrar, que quando chover novamente, vai subir cheiro de terra molhada, e que quando quisermos, nos é permitido comer um pedaço grande de cocada branca. então, que sejamos doce o resto da semana! que sejamos doce! que sejamos doce! (três vezes pra dar sorte)
quarta-feira, 7 de março de 2012
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