e finalmente estou decidida a arrumar os armários.
já é uma decisão.
limpar, tirar poeira, roupa velha, jogar fora o que fica feio e o que estiver obsoleto.
tudo que tiver guardado, em qualquer armário, físico, emocional, espiritual.
armários meus, de família, de banheiro, internos, de cabeça, de coração.
acontece que tem aquelas coisas que a gente esconde naquela gaveta atrás da porta.
por falta de coragem de revirar, ou
por falta de coragem de viver, ou
por falta de coragem de esquecer.
principalmente por falta de coragem de esquecer, seja no sentido positivo ou negativo, se é que há positividade em poeiras, gavetas e histórias vividas ou não vividas.
acontece que coloquei você naquela gaveta atrás da porta
os ácaros já estão um problema sério que nem sei como você todo cheio de frescura consegue ficar por lá.
e a sujeira que isso faz? talvez nem seja calculável, até porque boa parte não dá pra ser vista a olho nu.
e eu nunca lidei bem com coisas incalculáveis.
sempre soube disso, sou calculista e pronto.
antes de apertar o botão do elevador eu calculo qual dos dois tem maior possibilidade de chegar mais rápido.
tá certo que sempre aperto os dois, afinal também sou fogo e gosto de acreditar em encalço e plano b.
tá certo que muitos dos meus problemas foram originados no excesso de precaução e planejamento somados a este excesso exagerado de cálculo.
mas o pior deles veio de algo impensado, e acaba por justificar todas as minhas desconfianças.
eu sou assim.
essa crença de conto de fadas da qual tanto me cobram. não!
não sou. nunca fui. nem posso ser. princesa.
já antes o ex-futuro agora-atual médico sabia.
não quero ser princesa, coisa fofa,
não quero acreditar em príncipe,
nunca quis.
nem final feliz.
nem nenhuma dessas coisas "mágicas".
bem sei que alguns do que estão guardados na gaveta são dignos de ar, de outubro, de conversa franca, de indecisão, de retorno, talvez por isso estejam guardados.
mas não sou vetor, com direção, sentido e intensidade bem definidos.
não sou meta de tiro ao alvo e pronto.
sou menina. cheia de trejeitos e trajetórias.
bem mais obscura que esse bando de menininhas da sua história.
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