segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

o amor, ah o amor...


o woody allen está procurando novas ideias para uma história, deitado no sofá da sala, com um gravador na barriga, vai listando todas as coisas pelas quais vale a pena viver. café expresso, frank sinatra, o rosto da ana.

corta.

bem mais frágil do que em qualquer outro dia, peter corre pelas ruas do centro de manhattan, até a casa da garota, mesmo tendo acabado de perceber que talvez a ame, ainda é neurótico, relutante, pessimista. aí, ela vai e diz a frase que talvez poupe alguns anos de análise:
“você precisa ter fé nas pessoas”

ter fé naquela primeira troca de olhares, em todas as pequenas e grandes mensagens. fé com sorriso no rosto, sorriso de quem aprendeu que quase sempre o que acontece no carnaval acaba na quarta-feira de cinzas, mas nem sempre.

ter fé no acontecimento do encontro com alguém. é só assim que surge o mundo de conversas na cama, beijos na chuva, chegadas e partidas, confissões e segredos, jantares na rua, filmes na cama, almoços de domingo, cinemas nos feriados, mãos dadas no ônibus...

um mundo onde a constituição obriga:
- sorrisos ganham paz
- abraços são fortaleza
- beijos são como dançar

de repente, a rotina começa a agregar coisas como agarrá-la por trás beijando o pescoço. ela começará a pular no seu pescoço para se despedir. ele saberá que ela quase sempre finge ser forte. ela sabe que muitas vezes, ele não passa de um menino medroso. ele sempre a fará sorrir e suspirar um “uau” a cada ocasião em que ela usar um vestido estampado.

paul varjak joga na nossa cara que covardes nunca vão conseguir amar de verdade. é preciso parar de se deter em aparências, em arrogâncias. assumir que, okay, as pessoas se apaixonam, não dá pra ter controle disso.

bauman nos ensina que todo amor é um acontecimento único, assim como a morte. "aprender a amar é tão impossível como aprender a morrer”.

chegando o momento, o amor ataca. quando acontecer, vai pegá-lo desprevenido. foi assim com minha pessoa, com o peter, com o woody allen e com a bonequinha de luxo.

e que as probabilidades se danem.
e daí que todo mundo mente?
e daí que o namoro atual anda durando o tempo da apple lançar um novo iphad? iphone?

e sinceramente, acho bom que as pessoas não mudem. já escrevi alguma outra vez, o príncipe encantado não deve ser bom de cama, simplesmente porque não combina.

- grite seu amor! declare seu amor!

e não porque ele passa, ou porque um dia vai ser dolorido alterar o status no perfil social pra solteiro, muito menos porque a vida pode ser muito cansativa ou porque buda e alá ensinaram.

faça isso porque é gostoso, e só!
mais gostoso que brigadeiro de chocolate belga ou cerveja de trigo gelada!

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