segunda-feira, 7 de abril de 2014

quando você vai embora

quando você vai,
pressinto doenças tenebrosas
acidentes fatais
mal súbitos,
pra sofrer mais sua partida,
minha estadia solitária.

meu coração balança,
ora quer pular do peito
ora desacelera
clara tentativa de me lembrar da dor.

e essa cidade cinza
menos convidativa ainda
ajuda a pintar o quadro p&b que tenho por dentro.

quando você vai,
choro pelo tempo junto
pelos segundos com os corpos distanciados no sono
pelo seu cheiro
pela sobrancelha tão bonita.
choro pelo seu olhar menino
pelo sorriso doce
pelo seu dengo que é tão o mesmo que o meu.

quando você vai,
dramatizo a realidade
viro a menininha que costumava ser,
apaixonada aos 14 anos.

maldigo Deus, o ar, o mundo,
desejo abraço de mãe
fujir pro rio ou pro mar.
fujir das minhas quintas e sextas
abraçada com seu lençol,
como se ele fosse o nounouse.

quando você vai,
reencarno vinicius de morais,
fico mais bossa nova
que toda a discografia do joão gilberto.
não tomo café
não atendo telefones
não olho o espelho.

quando você vai,
apago o passado
esqueço as falhas
te amo inteira de novo.

quando você vai,
o amor desacostuma com o tempo
e aos poucos começo a ser felicidade.

e por alguma razão que ao certo nunca vou saber,
passo a amar a cidade
passo a amar as quintas e sextas
passo a te amar ainda mais e mais ainda,
quando você vai embora.

2 comentários:

Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Unknown disse...

chorei