você não sabe que eu escrevo.
poesias.
palavras soltas.
crônicas da minha vida rascunhada.
você não entenderia o que eu escrevo.
você não fala português.
sempre é possível traduzir, você diria.
não.
quebra o ritmo com o qual escrevo.
a aleatoriadade das ideias.
ao mesmo tempo, muitas vezes você me lê como ninguém.
não lembro quando alguém conseguiu isso com tamanha fluência.
simplesmente é impossível esconder o que sinto.
você viu isso, e posso, sem medo de ser injusta, dizer que você usou isso.
mas já diria minha terapeuta
ninguém é, de verdade, vítima.
e revirou tudo o que tinha por aqui
meus princípios
o que eu entendia por moral
o que eu entendo por amor
amor.
sexo.
vida.
essa instabilidade
essa felicidade
essa loucura
„julli, was hast du mit mir gemacht?"
jedoch ich kann dich einfach gegenfragen.
tá difícil concentrar
a ansiedade está a toda
me sinto tal qual uma adolescente de trinta anos
e viva
mais viva que nunca.
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