domingo, 15 de março de 2009

março

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o ar tão quente, ar quente onde os pássaros se afogavam
e o vento que não soprava, pulsava como uma febre
e as mangas se derretiam em sucos quentes, e sem água
e as pernas da menina, cera sob anáguas
e o sol carrasco, inclemente, caiu sob o próprio peso
e o ar já todo vapores tremia esgotado e teso
cruel e doce de escuro lançando penumbras brancas
meu peito uma hemorragia contida, mas que não se estanca
a vi então qual susto de súbito, branca e nua
e perguntei: quem és tu, meu Deus? e disse-me, então, a lua.
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2 comentários:

Anônimo disse...

cara, vc escreve muito bem!!! pq vc nao vira escritora de livros de poemas????

Anônimo disse...

silêncio, esmeralda, faz silêncio
ouve os murmúrios de folhas das lavras
escuro pendido entre denso
e vácuo
entre duas e tuas palavras