terça-feira, 23 de março de 2010

verdades (parte dois)

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e arde. não arde? e são nessas horas que aquele outro diálogo me vem a cabeça. não poder. não querer. não dever. isso de ser quem esperava que nunca seria nem nunca quis ser. pessoas erradas, em lugares errados, insistindo em algo, no que crêem ser extremamente necessário para viver. é engraço se imaginar sendo aquilo que não seria jamais. nunca. nunquinha. pra sempre? e amém?
e grita, sabe? essa vontade de, essa ansiedade de, essas imaginações de, e grita, e grita! e é real, e é ilusão, e é certeza, e é não, e como tudo tem de ser tão lindo, e para dar ênfase, lindo, lindo e lindo, amigo.
irrita não ter onde correr, com quem gritar, aonde se esconder. é só essa verdade. sozinha. no peito? a verdade dói, lateja. e estufa o peito, não por arrogância ou por gracejo galente para as garotinhas tão novinhas, mas porque a verdade, sozinha, no peito, te grita, não grita? sei que grita. é insaciável, assuma, agora e de uma vez por todas, você foge em busca de anseio, dúvidas, carnes frescas, muito álcool, uma comida diferente, cheiros novos, vícios novos que alimentarão o peito velho, tão lotado e tão inesgotável, cheio de censura, receio, coisa guardada, o peito, tão estufado?
e servirá de alimento? por quanto? quanto tempo? e depois vai correr daqui prai, de novo? não, sei que não. porque aí é passado, aqui já não basta. aí, aqui, então vai começar, a gritar e surtar e pirar e viver a verdade, gritando. não tem jeito mesmo, sabe? me pergunto: e depois? para onde fugirá? bahia, rio grande, sul, norte. talvez porto, alegre, das galinhas, seguro. seguro? ou são paulo, meu querido amigo, sampa, são paulo, o centro da américa latina. mas a américa latina já nem vai ser suficiente, algum dia ela não será suficiente, por dentro arde, lateja, grita, lembra? por dentro dói, corrói, quase explode, implode, quase tudo, por dentro, tudo.
aí irá longe. longe. longe. nova iorque, alasca, europa, oriente. quem sabe oriente. talvez ser um dançarino de tango em dubai, missionário monge no togo, ilegal em miami, quem sabe austrália, rússia, qualquer lugar, pensando que a terra já não é suficiente.
aí, volta pra cá, ou nem sai, talvez, nem sai, porque sabe que o que arde mesmo não é o mundo, nem pessoas, nem eu, nem nós, o que grita é esse peito tão estufado. grita porque deseja deseja verdade.
e a verdade olha, profunda, sacana, observa, por dentro, de dentro. olhos e olhares são apenas tolos artifícios. e não adianta. não adianta fugir. não. nem aqui, nem ai, lugar nenhum. são apenas palavras, palavras bonitas, como as nossas conversas de outro dia. e por mais que tenha sentido, sempre tem sentido, não tem? porque além das palavras, você, como nunca antes, amigo, sabe que por aqui há verdade, e sempre haverá.
mais que verdade uma irmã nessas últimas linhas dispenso as vírgulas na tentativa de que tamanha falta de nexo acabe por ofuscar.
olhos olhos olhos e olhares.
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e o céu não passa de um espaço aberto ao infinito
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2 comentários:

andré disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
andré disse...

muito obrigado.