terça-feira, 9 de julho de 2013

você vai chegar e nem deu tempo de fazer as unhas, de arrumar o quarto, nem de virar uma mulher confiante. minha garganta dói, não consigo comer, e acho que é medo. tenho um medo de você melhorar sistematicamente minha vida confortável, minhas comuns e constantes reclamações superficiais.

sobre o que vou escrever se você vier a ser melhor do que te esperar?

fico 24 horas por dia perdidamente encantada por tudo que pode vir com seu sorriso. quase desmaiei hoje no ônibus voltando pra casa, tá tão abafado. não sei como agir quando está abafado, nem com o novo e, principalmente, não sei como agir com essa inveja que começo a sentir do rio.

tudo anda parecendo uma alegre música do chico buarque, em ritmo de samba, na voz da roberta sá, mas é só porque você vai chegar.

e você vai chegar, vai arrancar esse meu terninho imaginário que visto todos os dias para me manter bem cínica, irônica e totalmente blasé, aquele bordado com essa minha ilusão de autossuficiência.

ai, quando você chegar com essa sua voz serena, essa sua cara de homem, essa sua barba de tamanho irrestível para roçar meu rosto, não vou mais conseguir fazer perguntas, não vou saber explicar que "lose myself in time, just thinking of your face, god only knows why it's taken me so long to let my doubts go, you're the only one that I want ".

com você já aqui, eu até aprendo andar de mãos dadas, por inteiro. paro de correr sabe se lá de quem ou para onde, de falar minhas meias-verdade. não preciso mais fazer listas mentais de coisas pra fazer ou checar o celular de cinco em cinco minutos. só eu, você, nós dois e aquela arrogância doce que a paixão trás.

se por alguns inúteis momentos, preciso tirar meus olhos de você, e acabo por olhar as outras pessoas, sinto pena deles, todos esses outros que não são nós.

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