sábado, 14 de setembro de 2013

isso de sentir a solidão do outro, de fora, assim, faz parecer sua própria solidão, ao qual o outro também se apropria. é como sofá vazio em festa cheia, copos esquecidos em alguns cantos, bandeira sem vento, tormenta das marés em tempo bom, silêncio de corpo de mente ruidosa, escândalo contido de um corpo inerte.

mas se o meu corpo deixasse de ser esquerdo por completo, e soubesse dançar, pegaria sua solidão pela mão, pelos braços, e ocuparia todos os espaços, com todas as danças e todos os passos, até que os rodopios alcançassem um ritmo acelerado e parecêssemos apenas um par flutuando, uma solidão-só.

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