alemanha, 15 de abril de 2020
31 dias de isolamento horizontal
tem sido difícil trabalhar. focar. produzir.
hoje eu limpei a cozinha expontaneamente (tudo bem que tava nojenta e quase inadiável, mas o foco é que limpei porque não queria trabalhar).
se pensar direitinho, eu tenho uma situação muito privilegiada por aqui. tenho com o que trabalhar (até demais, por sinal). relatório. correção de artigo. modelo. simulação.
mas hoje o dia foi: cozinha, netflix, almoço, youtube, netflix, conversa com thalita, ludo, e agora blog. trabalho que é bom... lembrei que tenho terapia às 19h. ou seja, será difícil trabalhar à noite.
todo mundo tá meio que surtando, mas eu tenho quarto com sol e luz natural, diferentes ambientes para transitar, um forno e uma amiga incrível com quem dividir, surtar junto e tentar entender esse processo que tá sendo doido e intenso pra todo mundo.
eric tem, vez ou outra, visitado (ou seria invadido?) meus sonhos/pensamentos.
estou tentando procurar se há amor nisso, mas a dor atrapalha.
no fundo eu sei que é comigo. ego ferido. inseguranças sobre o futuro. família. filhos. "já tenho trinta".
ao que nós, mulheres, (não?) nos submetemos por medo de estar/ficar/ser sozinha?
e o que é estar/ficar/ser "sozinha"?
um casamento configura segurança?
não há traições em casamentos?
então não. definitivamente não.
darei o terceiro, o quarto, o quinto tiro da macaca.
mas eu só estarei aonde eu possa ser inteira.
possa me sentir viva.
dividir.
compartilhar.
e que se não der pra ser assim, paciência.
a vida "sozinha" é cheia de incríveis momentos que não serão preteridos por um relacionamento meia-boca. acho que abri meus olhos.
você é linda, julli.
incrível.
vê aonde você chegou, garota.
aproveita essa privilégio de viver essa quarentena, aqui, longe de tudo e todos. com segurança financeira e colo de amiga. se há uma Deusa, ela te ama, e tá cuidando de ti direitinho.
te amo.
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