segunda-feira, 15 de setembro de 2008

um dia doce laranja apimentado com vulcões príncipes e pássaros dourados

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mesmo com todas as boas e bobas intenções, e do infantil desejo que o dia fosse realmente doce... as coisas nem sempre funcionam como se espera.
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a manhã começa bem, enfim, na base, silêncio/solidão, e cá entra nós , gostamos muito disso. mas não demora muito e a minha irresistível atração pelo vazio-mudo é preenchida pela arrogante e prepotente voz que consome meu horário das segundas e quartas feiras das oito às dez da manhã. a priori, até que era do meu agrado, não a voz, a aula em si, mas ultimamente o bendito som tem se tornado insuportável (suspiros). só de pensar em ter que ouví-lo tenho sérios desejos de quebrar coisas, bater panelas e gritar feito uma maluca reprimida. o que de fato, talvez esteja muito próximo de ser a minha última realidade mais doce.
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candy, candy, candy...
feito as manhãs de segunda e quarta x.x
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não vejo mal na maluquice, vejo problemas sim no fato de mantê-la a maior parte do tempo escondida na minha cômoda velha de três gavetas quebradas e em blocos de notas perdidamente perdidos em seis computadores. e mesmo com tudo isso, uma coisa sempre me animou: - chegar em casa e comer. comer devagar, degustar, deliciar. mas o relógio urge. berra. escandaliza-se: "prova-de-cálculo-prova-de-cálculo-prova-de-cálculo..." argh. e desculpando-me, volto a correr. a comida passa a nem ser tão boa assim. sinto-me como o coelho. - como é mesmo o nome dele? o da alice. penso no coelho e a única coisa que consigo lembrar é do gato. não o do sorriso, aquele outro, das botas. lembro também do príncipe, aquele com o pássaro dourado que foi um burro a história toda. não me peça nomes. também não lembro. minha memória não anda nadanada confiável ultimamente.
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e o dia passa. e o vulcão expele chamas de calor. belo vulcão o sol, belíssimo. por mais que eu não o aprecie, juro que posso entendê-lo todos os dias, menos os que ele tenta me matar. e tem feito com freqüência. muita frequência. ainda mais quando carrego aquela dúzia de livros da biblioteca em baixo do braço e uma laranja. uma laranja mecânica que pesa um punhado de vezes mais do que aquelas que vez ou outra você costuma engolir. mas não vim falar de laranjas. aliás, sequer vim. já que continuo sentada aos pés da minha cama com uma roupa velha e um edredon a cobrir as pernas.
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o fato de ter brigado e derramado lágrimas por motivos que não interessam a você, caro amigo, foram esquecidos quando com aquele mesmo súbito interesse e a paixão avassaladora pelo que os outros costumam chamar de silêncio, tomei uma decisão importante. claro que não é a mais importante, ou talvez seja e não esteja lhe dando o devido valor. não sei quanto tempo ainda terei pra pensar nela, mas até lá vou ter que lembrar a bendita história do príncipe... com esse amor adquirido de forma súbita pelo qual eu me encho de suspiros e não há voz maldita ou bendita que faça essa sutil sensação passar.
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sutil?!
ouso chamá-la de sutil por mais que eu saiba que não a outra mais intensa. de todas as outras vezes em que me apaixonei por um-ser-de-palavras, das palavras, jamais amei com tanto clamor cada letra. e o dia acaba e continuo correndo, parece tão simples. - vá, volte, esqueça os problemas, laranjas, coisas amarelas, comida sem gosto, deite na cama e durma com a esperança, de que amanhã sim, vai ser doce. e se não for, pouco importa... você, eu, tenho meus segredos, nossos segredos, guardados naquela velha e ranzinza cômoda, provavelmente tão ranzinza quanto a voz chata das manhãs.
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mas o que importa?
importa é que tudo me deu as letras.
como uma luz que surge.
como o sorriso sem o gato.
como um xícara de café quente caindo e se quebrando em milhares no chão.
como os moinhos de ventos rodando.
como uma laranja em sua cabeça, ou qualquer coisa do gênero.
rodando em sua cabeça?!
será que não cai?
cai?
cai!
caio!
aí temos as resposta para todas as nossas perguntas.
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incrível o que um dia-doce-laranja-apimentado-com-vulcões-príncipes-e-pássaros-dourados pode fazer na sua vida, não!?
14 de outubro de 2007
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tanto a voz, como a cômoda ranziza não estão mais lá. mas a vontade de quebrar coisas ainda permanece. a comida continua sem gosto. o relógio continua a escandalizar-se, muda-se apenas o texto algumas vezes. prova-de-física-prova-de-física, prova-de-algebra-prova-de-algebra, mantêm-se o original também. o sol continua belissimamente vulcânico. e a paixão pelo ser-das-palavras tomou uma proporção assustadora.
caio fernando abreu, meu caso de amor perpétuo.
hoje, 16 de setembro de 2008

3 comentários:

Anônimo disse...

sabe, da primeira vez que li esse texto, pensei ser eu o seu ser-das-palavras. vê que prepotência ;D

.tai. disse...

comecei a ler o texto, e achei que já tinha lido.
Depois quando cheguei no fim e vi a data tive certeza que já tinha lido. :p
bom ter vc de volta aos blogs
=D

bju Juli

*e eu já sabia que era vc, só vc me chama de menina flor
xD

Gabriela Guimarães Cavalcanti disse...

Três gavetas duma cômoda, a laranja, a voz, o vulcão. Só uma mente capaz de bulir-se até a fervura do bule transmitiria a explicação do inexplicável com tamanha vida, na sutileza espirituosa de simplesmente não explicar. Latente demais.