sexta-feira, 28 de novembro de 2008

a rita lee... o quê?

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deitados. aquele tapete. fofo. cor de creme. na sala dele. passava algum programa-alternativo-pra-dar-uma-de-intelectualzinho,-mas-que-na-real-a-gente-gostava-pra-caralho-mesmo na mtv. ele assistia sorrindo. eu lia algum-dos-vários-contos-bizarramente-'meus'-do-caio com um ar meio destraído. os olhos desviam-se do livro, e passeiam sobre uma rolling stone bem antiga, com a rita lee na capa.
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– caramba, olha essa capa que supimpa, mermão! nunca que consigo fazer uma assim! diagramação, definitivamente, é muito para a minha cabecinha limitada. – comentei.
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ele virou pra mim, apoiando a cabeça na mão, e soltou:
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– eu te amo.
– a rita lee... quê?
– eu te amo.
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e foi dizendo aquilo como se estivesse comentando o fato das curvas de nível nunca se interseptarem, ou qualquer outra coisa tão natural quanto. e continuou me olhando, esperando sabe-Deus-o-quê, que eu respondesse alguma coisa, talvez, sei lá.
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– ...
– namora comigo?
– ã?...
– eu amo você, não já falei duas vezes? acho já está na hora da gente aderir a esses tipos de relacionamentos impostos por esses padrões altamente burgueses...
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e cadê as merdas das minhas palavras? não podia ser totalmente sincera. sempre fui. por demasia. mas era ele. ele. tentei achar outra saída, enquanto ele ainda me olhava com aqueles olhos semi-cerrados. daquele jeito que realsa o nariz, aquele nariz, pelo qual sempre nutri uma paixão declarada.
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– não tenho bunda.
– claro que tem.
– mas ela é pequena, para fazer compania às minhas pernas finas.
– ainda te amo.
– sou grossa. bruta. insensível. fria.
– eu sei.
– arquiteto planos macabros nas horas vagas.
– sempre fizemos isso juntos.
– fico bêbada facilmente.
– e quem é que sempre te leva para casa?
– fico devassa quando bêbada.
– apenas quando bêbada?
– eu quis dizer mais devassa.
– ... e mais atraente.
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porra! não existe nada tão perfeito. que diabos de problemas tenho? acariciou meu cabelo com a mão livre e me deu um beijo. o afastei, e notei que ele começou a perceber o que estava errado.
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– você não deve ter entendido direito. eu te amo, caralho! com toda a intensidade que um palavrão desse calão pode ter. desse jeito tosco que você é mesmo. não mudaria nada, nem mesmo a mania irritante de me riscar todo com canetas bic's azuis, ou cantar a todos os momentos, principalmente quando acorda, é irritante, porém não dá pra mudar. eu amo você, até quando declama aqueles poemas idiotas ou canta músicas bregas.
– não acredito no amor.
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levantei e saí.
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6 comentários:

Anônimo disse...

esse texto é mais que lindo e revigorante..nossa que menina massa,que declaração massa,que diálogo massa.
eu n sei o final dela,se ela se arrependeu,se ele tentou mais uma vez..
só sei que imaginei a cena e gostaria de estar na sua pele.

e pra vc..eu te amo caralho!..mesma intensidade..nega linda.

Anônimo disse...

oooh, darling, please believe me, I'll never do you no harm.
ooohh, darling, if you leave me, I'll never make it alone.

I'll never make it alone

Gabriela Campêlo. disse...

Eu, como toda menina romântica que nunca escondi que sou, quase choro ao ler.
Não exatamente pelo romantismo 'do cara', mas pela textualidade em si, pela construção completa do texto e o suspense final...
Aí como eu amo palavras (:

E o fim do fim, como foi?
Repito o que Gabriela Melo disse: sonharia eu em estar na pele sua... sim, sonharia eu.


Te amo sem palavrões, essas duas palavras já se bastam por todas as expressões e já se expressão em todas as intensidade.

PADILHA disse...

Eu já conheço esse texto e já perdi as contas de quantas vezes eu já o li e de quantas vezes fiquei encantado por ele...

Esse diálogo é simplesmente apaixonante e envolvente, na verdade não sei descrever o que sinto quando leio esse texto,
mas lembro de voce.....

Anônimo disse...

oooh, darling...
tava ouvindo a música e vim olhar se tinha texto novo ;D

tão bom te ver, te ler, te ouvir, é sempre tão bom.

Anônimo disse...

PQP