fui acobertando silêncios, acumulando lacunas, isso de não dar espaço para qualquer barulho, por menor que fosse, nenhum barulho. medo de trincar meu vidro, medo de quebrar minha redoma, medo de espalhar mil pedaços pelo chão.
nunca me permiti dar ao luxo de andar descalça, para não correr riscos de, passo-a-passo, pisar nos cacos e acabar me ferindo nos meus próprios pedaços, podendo vir a me inflamar de mim.
só que sempre há aquele momento em que a gente abaixa a guarda.
e quando o corte é na gente, parece mais profundo.
é, de longe, sangue se assemelha muito a tinta.
na pele, as marcas contam histórias, melhor que a alma, arranhão é um risco multi-corrido, o hematoma é o que menos fica da queda, e sentir câimbras é apenas sinal de que ainda se tem membros mesmo estando parado.
e quando se fura o pé, dói muito mais quando o caco de vidro entra, empedindo o sangue de sair. a dor vai se acumulando, se acumulando, enquanto vai sendo acobertada.
o fato é que o pé continua latejando até o vidro ser retirado, e quando passa muito tempo a gente se apropria da dor, começa a gostar da pulsação, começa a achar que faz parte da gente.
mas o corpo reage, e, mais cedo ou mais tarde trata de expelir o vidro e expulsar a dor.
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nunca me permiti dar ao luxo de andar descalça, para não correr riscos de, passo-a-passo, pisar nos cacos e acabar me ferindo nos meus próprios pedaços, podendo vir a me inflamar de mim.
só que sempre há aquele momento em que a gente abaixa a guarda.
e quando o corte é na gente, parece mais profundo.
é, de longe, sangue se assemelha muito a tinta.
na pele, as marcas contam histórias, melhor que a alma, arranhão é um risco multi-corrido, o hematoma é o que menos fica da queda, e sentir câimbras é apenas sinal de que ainda se tem membros mesmo estando parado.
e quando se fura o pé, dói muito mais quando o caco de vidro entra, empedindo o sangue de sair. a dor vai se acumulando, se acumulando, enquanto vai sendo acobertada.
o fato é que o pé continua latejando até o vidro ser retirado, e quando passa muito tempo a gente se apropria da dor, começa a gostar da pulsação, começa a achar que faz parte da gente.
mas o corpo reage, e, mais cedo ou mais tarde trata de expelir o vidro e expulsar a dor.
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2 comentários:
pois vá fora, sim?
" Só que eu não sei usar o amor: às vezes parecem farpas." (Clarice Lispector)
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