terça-feira, 26 de abril de 2011

futuro-do-pretérito


porque quase sempre se chega ao final, bom ou mal. último capítulo, fundo preto e letrinhas brancas subindo. chato ou salvador de vidas...
...temos aqui um fim de história.

os beatles ainda me cantam que no fim, o amor que ganhamos é igual ao que sentimos. a capa do livro que a garotinha cult lia no shopping trazia na capa que “o único final feliz para uma história de amor - é um acidente" do joão paulo cuenca. o eme-esse-ene alterna entre: "JuR" e "ela já não gosta mais de mim". e o algum paulo mendes, acho que o campos, explicou que amor acaba, talvez entre coração apertado e dependente passando por um cafezinho bem frio, chegando a irritação perpétua.

aquela estória do sábio casal que começa a namorar em abril, por acaso no primeiro dia. mas essa de ser traquilo e esperto não convence amor nenhum a ficar. cada primeiro de abril após o término, vira um "nunca aconteceu". complicado, por que todo ponto final tem um desejo secreto de ser reticências. essa vontade de viver o que ainda não foi vivido por inteiro. essas possibilidades que não hão de passar de invenções, de filhos que não nascerão, de showperfeito que nunca irão, não juntos.

há aquelas extremistas, que nunca mais atendem aquele número que antes fazia o coração sair pela boca. love will tear us apart, honey. tem aqueles caras que terminam por email. e aqueles casais que nunca terminam, apesar de saber que deveriam. o camelo cantava equivocadamente que “todo carnaval tem seu fim”. tem carnaval ano que vem, e o que vem, e o que vem, e não esqueça das rodas de samba. tem outro beijo maisqueperfeito pra você, por aí distraído, copo de cerveja, e aquela sensação orgulhosa de perceber que alguém tãomaistão incrível te ama. sim, isso vai acontecer de novo, inevitável.

a não ser que ele seja o cara da sua vida.
ai, meu caro, você deu muito azar.

[...]
- alô. tá dormindo?
- ã? que horas são? que diabos aconteceu?
- bebi sozinho aquelas garrafas de cerveja que você me comprou em singapura. e percebi que essa de ser seu amiguinho não tá dando dá pra ser. amor ou nada.
- porra, joão! quatro da manhã!
- isso. no horário de brasília, até. e você é essa pernambucana linda, independente, incrível... como são a maioria das pernambucanas e mulheres que tenho um puta medo de amar.
- mulheres? plural? amor? quanto tempo uma cerveja se estraga? dois meses?
- AMULHER que tenho um puta medo de amar. singular. idiota. você!
- medo? sou só a mocinha mais solitária que segura taças de vinho. tanta conversa. tanto bilhete. tanto olhar.você sabe dos meus não poucos fracassos amorosos. devia tá macetiado.
- é sério, pô. para de piada.
- tô falando sério. todo aquele frio que passei na sudeste asiático me valeu de alguma coisa. verdade. essa brilhante luz que você teve... certíssimo! somos completamente apaixonados. um pelo outro ou por nada.
- que bela merda, carolina! essa briga entre quase amor e medo puro. e o que parece com amor está perdendo e o medo vencendo no melhor estilo anderson silva do vitor belfor.
- um lindíssimo chute no rosto. coitado do vitor, coitado do quase amor.
- nós duramos bem mais que aqueles três minutos de luta.
- cê sabia que o solo de todo o machu picchu se move mais ou menos um centímetro por mês? indo em diração ao abismo? vai sumir! a cidade inteira! a cidade anda, enquanto a gente nem sái do lugar. a gente. nós dois. maníacos-obsecados-compulsivos-do-futuro-do-pretérito...

Nenhum comentário: